raízes
Há nomes
apagados com cal.
Debaixo do jardim
as pás aprendem silêncio.
A chuva
faz o resto.
Os rostos descem
sem ruído,
como sementes proibidas.
Depois,
as praças ficam limpas,
os arquivos dormem,
as janelas respiram cortinas fechadas.
E alguém atravessa a manhã
com as mãos intactas.
Só os cães
farejam no inverno
uma verdade obscura
debaixo das raízes.