às vezes

Para Frida Kahlo



às vezes
é preciso continuar

    atravessar a sala
    como quem percorre
o país que desconhece
o destino do seu nome

                   acenar para 
o espelho
          sem saber quem
    acena do outro lado

é preciso continuar

como se o ar não pesasse
como se as mãos 
             não tocassem
                        o que fazem

como se o silêncio
       fosse apenas silêncio
        e não a forma exacta
             do que aconteceu

é preciso continuar

sem testemunhas
             ruínas visíveis
  que plantam o vazio
  a meio do peito

continuar

como se nada
        como se ninguém
                   como se nunca

existisse

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