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palimpsesto

Para T. S. Eliot Só aqueles que se arriscam a ir longe demais - dizes - podem descobrir até onde se pode ir , como quem deixa cair uma moeda  num poço e escuta o eco  esperando que lhe devolva  em detalhe e com rigor a cartografia anotada. A cidade continua a respirar em fragmentos: luzes intermitentes,  vozes sem  acabar frases, elétricos rangendo memórias mal tratadas. E nós, com mãos ocupadas em pequenos medos úteis, medimos distâncias com réguas quebradas, traçamos limites no pó de coisas apagadas. Ir longe demais não é um gesto heróico. Antes é um desvio imperceptível, pegada que não pede abrigo ao chão. Há sempre um ponto onde o nome das coisas falha: o mar já não é infinito,  o corpo já não é casa, o tempo esquece a sua própria cronologia. E é aí nessa margem onde o sentido se dissolve como tinta em água turva,  que  algo  começa a falar  sem linguagem. Talvez nada se descubra. Talvez o longe seja um espelho atras...