peça a peça
Dizem-nos: das trevas fez-se luz. E houve uma manhã - talvez. Mas a manhã não nos pertenceu. Falaram-nos de uma luz inteira, como se a inteireza fosse possível num século de espelhos rachados. Assim pensámos. Assim nos ensinaram a pensar entre anúncios luminosos e ruínas de ossos discretos. Mas quando a luz nasceu (se nasceu: fragmentou-se): não em constelações sublimes, mas em lâmpadas de tecto de corredores administrativos. Basta olhar para o céu: as trevas continuam. Não como ausência, mas como afirmação do método. Medem a dança das luzes com a paciência mineral das eras. (outrora chamámos a isso destino). Outrora como agora, marionetas no carrossel do jogo. A música é alegre ( convém que seja): quem dança não pergunta qual personagem roda a manivela. Agora chamamos equilíbrio instável ao copo ...