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o vidro fino

No hables a menos que puedas mejorar el silencio. Jorge Luis Borges E o silêncio ergue-se como uma catedral  sem tecto,  uma arquitetura de ar onde  cada ausência respira.  Há nele um rumor  de mar antes da maré,  um quase dizer que  não se entrega.  As palavras chegam demasiado  vestidas,  calçam sapatos sobre o chão sagrado, tropeçam na pureza do instante,  deixam  migalhas  de intenção por onde passam. Falar é um risco calculado: tocar o vidro fino do mundo sem quebrar a sua transparência. Mas quem ousa medir o peso do silêncio que se deita entre dois pensamentos como um animal antigo que observa? Se disseres algo, que seja como água numa pedra quente: um gesto inevitável.