deus
And then all alone in space,
in lightness, in cold.
But the deep in the shape
he has made to stand erect
he takes a breath, as if
reaching for the First, Primitive…
Then God explodes from his
hiding place.
Rainer Maria Rilke
Inteiramente sozinho no espaço,
na leveza que não sustenta,
no frio que não perdoa,
respira.
O ar é lâmina e ausência,
um silvo antigo que entra e não sai.
Os pulmões, dois buracos abertos para o nada,
buscam o Primeiro, o Primitivo,
aquele sopro anterior ao nome,
anterior ao osso, anterior ao medo.
Há um tremor no escuro,
uma corda esticada entre o agora e o nunca.
O peito abre-se como uma porta enferrujada.
E então
irrompe.
Do esconderijo mais fundo,
do lugar onde a luz ainda não chegou,
sobe um grito sem som,
um animal de estrelas e fome,
um deus pequeno e nu
que se reconhece no frio e o abraça.
Não há retorno.
Só o espaço,
a leveza,
o frio,
e o que resta depois de respirar.
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