a regra d'ouro
Primeiro, declara-se a guerra. Não em voz alta - em reuniões discretas, com café quente e gráficos claros. Depois, explica-se ao povo que é pelo bem comum. O bem, claro, já está definido por investidores & accionistas. Os pobres oferecem os corpos, os ricos oferecem opiniões. Uns perdem pernas, outros ganham contratos. A bomba cai democraticamente, mas a conta sobe em exclusivo. Há quem morra anónimo, há quem assine em dourado. Chamam “sacrifício” ao que jamais sacrificariam. Chamam "defesa" ou "ataque preventivo" quando iniciam ofensiva. Chamam “inevitável” a tudo o que é lucrativo. Quando tudo arde, aparecem salvadores com capacete novo e facturas antigas. Reconstrói-se o país, não a justiça. Enterram-se os mortos, não os responsáveis. E no fim, se alguém perguntar “porquê?”, responde-se com seriedade: - porque funciona.