anestesia

Para Hank



bebem o café morno
e olham para a parede manchada
como se fosse um quadro do louvre
há um cheiro a mofo nas camisas
um peso nos ombros a que chamam
destino ou segunda-ou-terça-feira

conheço de ginjeira o tipo:
acordam com o despertador a gritar
arrastam-se para empregos que odeiam
para comprar o que não precisam
e sentam-se à frente da tele-visão
a comer comida made in plástico
até o cérebro virar a açorda aguada

as gentes estão tão habituadas
a ter uma vida de merda
que perderam a consciência
do que é merda

se lhes desses uma flor
tentariam limpá-la com um pano sujo
se lhes desses a liberdade
pediam que lhes devolvesses as algemas 
porque o metal frio é mais familiar
do que o calor do sol ao meio-dia

estão mergulhados até ao pescoço
a sorrir para uma vastidão de selfies
e enquanto o esgoto sobe
já nem tapam o nariz
o cheiro já não os incomoda
agora é o perfume eleito da casa

bebe mais um copo ó miúdo
está quase a começar o próximo turno

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