univers revers
A artroplastia reversa tem algo profundamente simbólico. Quando a mecânica antiga falha, a re-invenção do corpo cria uma nova fórmula. Há nisso uma espécie de dignidade silenciosa: prótese, ossos, inversão, re-aprendizagem do gesto. Quase uma revolução anatómica. Quase uma outra vida. No ombro, a prótese implantada trocou o lugar da antiga fórmula. O corpo, confuso, aprendeu outra geometria. Agora o braço sobe até ao céu não pela memória, mas por um pacto metálico. Dentro do osso, um pequeno planeta inverso gira sem infância. E mesmo assim, ergue o pão, abre a janela, segura a chuva.