fôlego
chamavam-lhe isolamento prefiro chamar-lhe fôlego lá fora o ruído dos outros arranhava-me a pele como se cada gesto alheio me roubasse o sopro de ar havia dias em que tentava fingir que era feito do mesmo barro mas bastavam poucos minutos para sentir o corpo a ceder - cão magro à procura de sombra no meu canto tudo fazia sentido - o silêncio era beata de cigarro a penumbra um golpe de força a renascer sem testemunhas sem exigências sem máscaras não era orgulho nem virtude nem doença - continuar inteiro num mundo que tritura homens cospe ossos - cada um escolhe o veneno que o mantém vivo