o poema

Se a poesia fosse um deus,

não perguntaria quem reza.

Perguntaria quem escuta.


Seria boa?

Num dia, uma ferida aberta.

Noutro, água sobre a ferida.


Seria má?


Às vezes, sim.

Às vezes, não.


Dependeria do poema.


Como a chuva depende da nuvem.

Como o espelho depende do rosto.


O deus seria o mesmo.

O verso, não.

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