corpos II
a noite
abre os olhos
e do seu centro
sobe um nome
feito de neblina
as paredes
respiram devagar
a terra chama
a terra
a luz chama
a luz
o corpo
desce
ao centro do
silêncio
e espera
mãos traçam círculos
no ar
como quem acorda
uma memória antiga
nome após nome
ergue‑se
do pó
num murmúrio
lento
e cada gesto é
uma oferenda
cada
respiração
um regresso
até que
dois corpos
se encontram
no exacto
ponto
onde o mundo
se renova
e o fogo
reconhece
o fogo