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destempos

    as folhas caem    o tempo esgota      o momento frio    o vento assobia   um rio passado    silêncio            aquecido   a vida flui      em ritmo suave sem pressa de ir       destempos fui       o coração leve      o agora é tudo

Merdariana

mais. do que. isto   o mundo pede leveza.   basta.  de.           merda

tagarelices

Na. penumbra. das. letras. antigas   poe &love craft  conversam em      segredo & sombra.    um brilho.ténue.   páginas.palavras  &fantasmas dançam     falando o medo:   silencioso que     alimenta  o que há  mais de            humano.      "os monstros”, diz poe,       "são espelhos que reflectem os nossos  segredos mais ocultos." &love.     craft assenta em  voz baixa    (com a gravidade  de uma tempestade distante):     "e se a linha ténue se romper?     o que está além da porta nos   lábios do pesadelo?"    entre goles de café amargo         o diálogo flui   como um rio de     absinto em cada história                  a tram...

Liberalia

 a liberdade conquista-se todos os dias  no sol que se ergue em  cada passo da  libação   em cada corpo que se revela    o liber pater respira com  a brisa leve  que acaricia com as mãos firmes das manhãs escreve                       em páginas&   espelhos: o desejo pulsante & inteiro  desnudado a máscara & embriaguez  de ser livre - com o florescer de uma    semente a lutar contra o árido chão   e rompe a crosta dura da indiferença   em jactos de sombras de calor & luz  bacantes a desafiar toda a gravidade regra &convenções -                em cada manifesto             entre a uva e o vinho         desobediência & espaço sagrado                     onde o...

Nakba

dores & memórias    em vozes perdidas                em terras onde a oliveira compõe o lamento                                 de folha &vento            as casas desvanecem durante a manhã      abertas à escuta ainda na  poeira-sombra    cenas pintadas em telas de viva memória    uma mesa plena de risos cânticos suaves      celebrações e depois o silêncio - mudez              a ausência rente ao vazio do tempo                as noites sem estrelas dançam em chamas -                            fogueiras que cantam     ecos do passado cada chama um nome  cada brasa uma história:     ...

antigamente

    a via láctea é o atalho         um  traço diário       em vírgulas & sonho       cada passo   uma luz   pegada de galáxia          o céu é o meu tecto  ( trompe-l'oeil que dita  os segredos   que ouço:         a clara voz sonora          a jornada renova)  indizível         o rumor  que ouço

Ad pluvias

 Dando por mim aqui a pensar mudando o look faz a ocasião pois o homem novo acontece o raio da tarde soa a epifania  bipolar galera no amanhecer sonora luz & pescoço acorda   um novo terror & assombro o escafandrista da novíssima (DES)ordem(CONTRA)ordem  sic (com) umbella ad pluvias

Té jazz

Para Salvador Puig Antich Té jazz.. um improviso  a swingar.. um poema o condenado. à morte vai. morrer cada. nota  a pauta da esperança vai morrer. sem aviso na luz do bar. sonoro vil garrote. amarrado  a cadeira o pescoço vai morrer. sem aviso &serpente-torniquete  mas jazz é improviso

exactamente

                                                                                                                                          Para Philip K. Dick Você é um robô?!?! Depende. quando. dias sobram?...para noites. claras. como. gemas de ovos. sonorífero. preciso. & exacto: - O robô desperta!

indiscrições

Você é Gogh e pinta? Tem pinta de o fazer. Horas vagas... Talvez Ainda coço. a orelha. Tem outra. Que coça Ainda bem. Que tem. Coço! Mas. não essa. Olhe bem pró. pincel. Horror!! Uma orelha em... bal. sa. ma.da. Já sabe agora. afinal o quê. útil da. orelha.