MANIFESTO (QUASE)

O projecto poético Droga d’ART nasce de um gesto simultaneamente íntimo e insurgente: cinco vozes que recusam o rosto, mas não a presença. Sob os nomes das primeiras cinco letras do alfabeto grego Alfa, Beta, Gama, Delta e Épsilon, este colectivo de poesia escolhe o anonimato não como fuga, mas como forma de depuração: um regresso à palavra como centro, livre de biografias, estatuto ou ruído exterior.

A sua escrita move-se num território híbrido, onde o modernismo se entrelaça com o simbólico e o realista, num lugar sem delimitação de fronteiras rígidas. Num mesmo poema, pode emergir a fragmentação inquieta da modernidade, a densidade sugestiva do símbolo e a crueza do real quotidiano. Não há intenção de separar correntes, mas de as fazer coexistir, como camadas de uma mesma respiração.

Droga d’ART não se fixa em escolas nem em definições estanques. A sua estética é fluída, por vezes contraditória, como o próprio tempo em que escreve. Há poemas que parecem sussurrados por dentro, outros que encaram o mundo sem véu; há imagens que se dissolvem e outras que ferem com nitidez. Tudo isso convive, sem necessidade de explicação.

A decisão de publicar exclusivamente na Internet não é apenas prática - é um posicionamento. Recusando o suporte em papel, o colectivo afirma a poesia como um território aberto, sem portas nem preços de entrada. A palavra circula livre, acessível a quem a quiser encontrar, como um gesto de partilha que desafia hierarquias e limitações. O projecto não pede reconhecimento, nem procura assinatura. Existe no espaço entre o anonimato e a presença onde o poema fala por si.

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