a margem
Não esperes.
A corrente aprende o pulso antes do ferro.
Vi homens sentados à sombra de colunas,
contando
as sandálias dos deuses
como quem conta moedas.
Esperavam.
O mar não enviou arautos.
A montanha não se moveu.
Nenhuma águia transportou
a chave do enigma.
A espera rompeu a pedra
sem testemunhas.
mas o que oferece os pulsos à prisão
permaneceu imóvel,
escutando ao longe o ruído das portas.
As portas,
sempre as portas,
Só que o rio não pede licença à margem.
Corre.
Leva consigo sombras, impérios, tronos.
E escreve sobre as pedras
uma única sentença:
sê a tua própria margem.