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bric-à-brac

dizias - o bar estava aberto sem. vergonhas  enquanto os sábios & rotinas despertavam  lá fora & dentro ias emborcando pro.fecias promessas com um sabor amargo a vidros   amor era a mulher rindo distante o vestido barato tecendo o velho corpo de hábitos & hálitos e eu - quem diria - um cão vadio de aço &febre a latir a nomes sem calendário o som morria entre copos partidos a dança recolhia cacarias para quaisquer sucateiros embora sem conserto nem despedida. onde o sangue teimava em .ser. mel que se bebia o amor era a anedota do dia. dessas de que ninguém se lembra. & ri. sempre: - Vai rindo a dor é menor: - Quando o álcool bate forte nos olhos era assim quando. sabia. &dizias haver sempre crédito. sem débitos. na vida

Vésperas

1º acto   ao entrar p’la loja baptizada  como chique em meu bairro  ninguém falava de bombas a promocão das cuecas era o tema visceral da situação 2º acto       escolhi o par mais insignificante   estampado a pombas brancas                      sobrevoando céus  sem negrume ou silheta de inquie taç        ão 3ºacto        a  vendedora exibindo o bigode     disse algo sobre                          algodão macio                       mas eu pensava no aço    da morte  a mentira em linha recta                         dos poderosos   4ºacto  o tecido leve parecia...

Lisboa

Todas as      ruas conduzem ao Tejo, conduzem   a nada,   as pedras,  os sonhos,     um eco                     volante. Quem disse: Lisboa, Tejo e T udo ?   Paredes murmuram cada estória do mar,   o horizonte se fecha - o silêncio profano navega o vazio: - gaivotas traçam o grito    no céu, mapa jamais desenhado: - Paleta de humores, dias de sol e chuvas, roteiro d’almas em rasgo de tintas, um diário de uma cidade onde até o ar se torna ilusão cada vez que respira. Quem és Lisboa se não labirintos? Cada presente & passado   onde cada esquina é um lembrete de que, mesmo até ao Tejo, não se chega sem ter olhos bem abertos. Essa, a eterna viagem,  brisas ancestrais por essas ruas levam ao Tejo, as suas veias tecendo o ardil de nós mesmos, vozes na praça, marcas, passos, calçada...

caquistocracia

      Sente-se. Está sentado?                 Você é um idiota.    Repito: você é um idiota.            o peso do N-O-M-E  agudo.                      Sou um idiota ? Nega que o seja?                     I-d-i-o-t-a, fixe bem as letras.       Quanto mais foge, mais a luz mente.       Negar o que o é? Mais erros comete.            Idiota, de pequenos poderes por     encomendas de gaveta        o diário de bordo da nau catrineta        a última edição revista do manual       da caquistocracia, a companheira I deal de  todos os pequenos  I s in-soletrados & sorri-           dentes.  ...

O Robô

1.  hoje c omprei um sonho     de metal frio p ara um         amigo de riso vazio 10.      s e tem desejos não é      o meu tema:   todo mistério guarda     o seu dilema 11.              q ue desvende                    a máquina         a vida escondida               100. a força crua:          o silêncio vivo o seu motor      

A Paragem

         havia um café chamado A Paragem             exactamente atrás de      uma paragem de   autocarro O vapor no vidro marcava o instante um lugar breve Estórias no ar difíceis                   de calar    Através do vidro o mundo  passava Nas mãos   um café arrefecia  lá fora a espera nunca parava  a pausa era o que ali habitava            O cheiro forte da rua nunca parava       uma prisão entre dois cais  uma paragem mais longa que    a vida onde o tempo      não buscava sinais Havia um café escuro vazio  perdido  atrás da paragem esquecido       pelos dias Os homens calados        bebiam rotinas    lá fora o autocarro cuspia ...

entre ruínas

      o casal posa entre ruínas    quietas. o menino distorce              o riso a careta de cal     &o tecto cai sobre     aristóteles que vive ainda     na sarjeta: (ou será outro)      pensa: - a quem      importa o génio  do axioma?      lá fora o mundo é um cão         sem dono aqui importa o fogo inato:    a vida inteira numa risada    feliz o filho &  claro o caos

Amanhã

      o telefone grita ecoa no vazio  o cigarro queima a vida      em mortalhas se   amanhã viesse       algum sentido faria ontem devora o tempo tudo engole           a garrafa vazia ri   sem perguntas  a parede escuta         o silêncio do riso         hoje é ontem   amanhã é nunca o telefone atende o nada:  espera sentado         sem pressa se ontem fosse hoje &o telefone tocasse              amanhã

Teorema

       a cidade cospe naturalmente verdades sujas    em becos    caras sem destinos    o rio do lixo                      escorre    a vida cai sem qualquer aviso       bares onde rostos esquecem espelhos doentes em que o frio   habita a pedra de gelo       o copo da incerteza condição é máscara         mastigada cuspida      apagada o nome o teu nome     matemática pura   uma condição

simplesmente

    se fosse um grande homem   reuniria os sussurros     de quem que não é ouvido plantaria sonhos nos cantos das divisões silenciosas      seria gentil movendo-me    através do tecido dos dias   cada momento um fio   de ouro       na tapeçaria da            humanidade