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Teorema

       a cidade cospe naturalmente verdades sujas    em becos    caras sem destinos    o rio do lixo                      escorre    a vida cai sem qualquer aviso       bares onde rostos esquecem espelhos doentes em que o frio   habita a pedra de gelo       o copo da incerteza condição é máscara         mastigada cuspida      apagada o nome o teu nome     matemática pura   uma condição

simplesmente

    se fosse um grande homem   reuniria os sussurros     de quem que não é ouvido plantaria sonhos nos cantos das divisões silenciosas      seria gentil movendo-me    através do tecido dos dias   cada momento um fio   de ouro       na tapeçaria da            humanidade

abastardando

               a morte que não é morte - essa é nova                                      Que caralho é isso?             o vazio que te engole sem prévio aviso  ou talvez só talvez o último                                              e fodido alívio         sem dor? sem lamento?                                 quem escreveu essa treta?       a dor é vida a morte a derradeira aposta?      um sussurro? uma brisa?                     que porra de poesia barata          o cheiro a merda o último ciga...

nunca paguei

            nunca paguei para publicar poemas   escrevo porque o sangue manda não por moedas                                      ou contratos  a palavra pertence às ruas sujas    escrever é vento não ouro cego     publicar é cuspir fogo na noite        para rezar a santos de bolso     quem cobra não sente o peso              o peso real de um poema as línguas colhem vozes   do chão  em luas verdes          o sol voa onde a máquina cala  livre nasce e morre                     o poema

A estrada

  o asfalto rachado cuspia          fumo incandescente        o sol mastigava ossos sem clemência   cada passo um grito  sufocado sem mapa  sem rumo só poeira amarga    a estrada ri    da pequena trilha  a estrada sem líder    não tinha caminho    só o vento morto        a ditar o mote caminhar é dragar     o vazio: morder     a própria língua

fumaças

     verlaine       + rimbaud escreveram  um soneto um. buraco. negro          uma rosácea.   um repolho roxo. uma falácia. uma falésia.             sem         destino.    um beijo louco.  um vómito.     um soco no espelho  um gole amargo     a tinto absinto & sangue     borrado a riso.  foi então que    um disse ao    outro:       não vejo  nada do que há        pra ser visto.       apenas sinto            o canto de       de uma peça    d'arte     esse buraco      um convite      ao riso cru       poema nu papel     queimando    entr...

destempos

    as folhas caem    o tempo esgota      o momento frio    o vento assobia   um rio passado    silêncio            aquecido   a vida flui      em ritmo suave sem pressa de ir       destempos fui       o coração leve      o agora é tudo

Merdariana

mais. do que. isto   o mundo pede leveza.   basta.  de.           merda

tagarelices

Na. penumbra. das. letras. antigas   poe &love craft  conversam em      segredo & sombra.    um brilho.ténue.   páginas.palavras  &fantasmas dançam     falando o medo:   silencioso que     alimenta  o que há  mais de            humano.      "os monstros”, diz poe,       "são espelhos que reflectem os nossos  segredos mais ocultos." &love.     craft assenta em  voz baixa    (com a gravidade  de uma tempestade distante):     "e se a linha ténue se romper?     o que está além da porta nos   lábios do pesadelo?"    entre goles de café amargo         o diálogo flui   como um rio de     absinto em cada história                  a tram...

Liberalia

 a liberdade conquista-se todos os dias  no sol que se ergue em  cada passo da  libação   em cada corpo que se revela    o liber pater respira com  a brisa leve  que acaricia com as mãos firmes das manhãs escreve                       em páginas&   espelhos: o desejo pulsante & inteiro  desnudado a máscara & embriaguez  de ser livre - com o florescer de uma    semente a lutar contra o árido chão   e rompe a crosta dura da indiferença   em jactos de sombras de calor & luz  bacantes a desafiar toda a gravidade regra &convenções -                em cada manifesto             entre a uva e o vinho         desobediência & espaço sagrado                     onde o...