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hora de ponta

1.                 a multidão acolhe o céu aberto  contra o vidro    o tempo elástico encolhe     o silêncio & empurra       a pressa do mundo o rio não afaga           as suas margens 2.               a vida é o metro                  círculos lentos estações intensas    viagens sonoras          em pressa o corpo se apaga              no chão quebra o invisível             & assim cala a  meio a vida  3.         hora de ponta o sangue nos     ossos encovados os olhos        nos ombros  a língua pastosa a recitar horas     o tempo a mastigar sobras      olhare...

quimeras na bagagem

Para A. S. 1. o amigo partiste em silêncio como quem respeita  o peso das palavras      não houve adeus somente a ausência   tomando de um gole  seco inteira a casa  colecionavas quimeras não como quem  foge, mas como quem insiste   guardavas sonhos em cadernos gastos     papéis soltos menores do que silêncio     caixas em madeira cheirando a cinzas falavas de coisas desconhecidas para o mundo:       um peixe que voava reflectindo a lua     uma estrada que levava até a infância     um amor que não cobrava  passagem      enquanto todos reclamavam provas -      trabalhavas o malabarismo  do encanto:      curvas sem tempo pequenos gestos   agora que partiste - repouso  inquietas     as quimeras presas em meus bolsos não sei o que fazer com elas -  algumas    ainda serpenteiam pelas veias  out...

quanto baste

A deram-me um nome raso &tanso ficaram por aí. E o preço foi claro ter esses: - os trabalhos & os dias contados por o que estava agora a ocorrer. Crescer era esgravatar contra o tijolo gastar unha afiada B o nome não podia exceder pesos nunca podia ter salvo o homo sa- piens de arrotar cinza, o silêncio do génio na garrafa &ninharices C caminho ainda com nome & raiz &só as poeiradas  me conhecem causam coceira chata no sapato  &roteiros tão leves quanto baste

bric-à-brac

dizias - o bar estava aberto sem. vergonhas  enquanto os sábios & rotinas despertavam  lá fora & dentro ias emborcando pro.fecias promessas com um sabor amargo a vidros   amor era a mulher rindo distante o vestido barato tecendo o velho corpo de hábitos & hálitos e eu - quem diria - um cão vadio de aço &febre a latir a nomes sem calendário o som morria entre copos partidos a dança recolhia cacarias para quaisquer sucateiros embora sem conserto nem despedida. onde o sangue teimava em .ser. mel que se bebia o amor era a anedota do dia. dessas de que ninguém se lembra. & ri. sempre: - Vai rindo a dor é menor: - Quando o álcool bate forte nos olhos era assim quando. sabia. &dizias haver sempre crédito. sem débitos. na vida