Mensagens

Lisboa

Todas as      ruas conduzem ao Tejo, conduzem   a nada,   as pedras,  os sonhos,     um eco                     volante. Quem disse: Lisboa, Tejo e T udo ?   Paredes murmuram cada estória do mar,   o horizonte se fecha - o silêncio profano navega o vazio: - gaivotas traçam o grito    no céu, mapa jamais desenhado: - Paleta de humores, dias de sol e chuvas, roteiro d’almas em rasgo de tintas, um diário de uma cidade onde até o ar se torna ilusão cada vez que respira. Quem és Lisboa se não labirintos? Cada presente & passado   onde cada esquina é um lembrete de que, mesmo até ao Tejo, não se chega sem ter olhos bem abertos. Essa, a eterna viagem,  brisas ancestrais por essas ruas levam ao Tejo, as suas veias tecendo o ardil de nós mesmos, vozes na praça, marcas, passos, calçada...

caquistocracia

      Sente-se. Está sentado?                 Você é um idiota.    Repito: você é um idiota.            o peso do N-O-M-E  agudo.                      Sou um idiota ? Nega que o seja?                     I-d-i-o-t-a, fixe bem as letras.       Quanto mais foge, mais a luz mente.       Negar o que o é? Mais erros comete.            Idiota, de pequenos poderes por     encomendas de gaveta        o diário de bordo da nau catrineta        a última edição revista do manual       da caquistocracia, a companheira I deal de  todos os pequenos  I s in-soletrados & sorri-           dentes.  ...

O Robô

1.  hoje c omprei um sonho     de metal frio p ara um         amigo de riso vazio 10.      s e tem desejos não é      o meu tema:   todo mistério guarda     o seu dilema 11.              q ue desvende                    a máquina         a vida escondida               100. a força crua:          o silêncio vivo o seu motor      

A Paragem

         havia um café chamado A Paragem             exactamente atrás de      uma paragem de   autocarro O vapor no vidro marcava o instante um lugar breve Estórias no ar difíceis                   de calar    Através do vidro o mundo  passava Nas mãos   um café arrefecia  lá fora a espera nunca parava  a pausa era o que ali habitava            O cheiro forte da rua nunca parava       uma prisão entre dois cais  uma paragem mais longa que    a vida onde o tempo      não buscava sinais Havia um café escuro vazio  perdido  atrás da paragem esquecido       pelos dias Os homens calados        bebiam rotinas    lá fora o autocarro cuspia ...