Ressurreição

Para  Rumi



        Já morri
 tantas vezes
        antes de 
morrer:
 no primeiro
   abandono,
 no primeiro
beijo,
  na palavra que
roubei,
no espelho que
silenciei -
    cada morte
uma semente
que ignorei.

 Digam que alguém
   me levou consigo
     ao colher o fruto
    que amadureceu.

Ressurreição 
não é túmulo 
aberto, 
                sudário 
dobrado. 
É silêncio 
 depois do grito, 
depois
do nome,
a luz:
regresso 
à terra
  sem pressa de
ser árvore.

(como a cinza
e a fénix,
     o grão que
apodrece
      o pão que
endurece).

        Morro pela noite
    como quem morre
pela manhã.
            Sou a criança
que aprende
    o primeiro 
passo.

           Não chorem.
Digam que alguém 
cansado de 
  esperar, entrou no 
quarto 
onde dormia, 
   encostou a boca 
      ao meu ouvido
e disse: agora.

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