1. a multidão acolhe o céu aberto contra o vidro o tempo elástico encolhe o silêncio & empurra a pressa do mundo o rio não afaga as suas margens 2. a vida é o metro círculos lentos estações intensas viagens sonoras em pressa o corpo se apaga no chão quebra o invisível & assim cala a meio a vida 3. hora de ponta o sangue nos ossos encovados os olhos nos ombros a língua pastosa a recitar horas o tempo a mastigar sobras olhare...
o asfalto rachado cuspia fumo incandescente o sol mastigava ossos sem clemência cada passo um grito sufocado sem mapa sem rumo só poeira amarga a estrada ri da pequena trilha a estrada sem líder não tinha caminho só o vento morto a ditar o mote caminhar é dragar o vazio: morder a própria língua
a morte que não é morte - essa é nova Que caralho é isso? o vazio que te engole sem prévio aviso ou talvez só talvez o último e fodido alívio sem dor? sem lamento? quem escreveu essa treta? a dor é vida a morte a derradeira aposta? um sussurro? uma brisa? que porra de poesia barata o cheiro a merda o último ciga...
Para A. S. 1. o amigo partiste em silêncio como quem respeita o peso das palavras não houve adeus somente a ausência tomando de um gole seco inteira a casa colecionavas quimeras não como quem foge, mas como quem insiste guardavas sonhos em cadernos gastos papéis soltos menores do que silêncio caixas em madeira cheirando a cinzas falavas de coisas desconhecidas para o mundo: um peixe que voava reflectindo a lua uma estrada que levava até a infância um amor que não cobrava passagem enquanto todos reclamavam provas - trabalhavas o malabarismo do encanto: curvas sem tempo pequenos gestos agora que partiste - repouso inquietas as quimeras presas em meus bolsos não sei o que fazer com elas - algumas ainda serpenteiam pelas veias out...
m.u.n.d.o.s. (paralelos // = a salvação) se_ f.a.r.t.o.s_ de (um) P U F! (saltamos) 1⁰ 2⁰ 3⁰ (#dos olhos // #do medo // #do tempo que foge) p/ o u t r o & o.ut.r.o &&& (.. ) ∞→ :: ao n/gosto :: escolham → [porta] [realidade] [criação] o único senão será o céu? (mas esse ri-se &diz: - Nunca fui limite. ) F Ô L E G O ...
havia um café chamado A Paragem exactamente atrás de uma paragem de autocarro O vapor no vidro marcava o instante um lugar breve Estórias no ar difíceis de calar Através do vidro o mundo passava Nas mãos um café arrefecia lá fora a espera nunca parava a pausa era o que ali habitava O cheiro forte da rua nunca parava uma prisão entre dois cais uma paragem mais longa que a vida onde o tempo não buscava sinais Havia um café escuro vazio perdido atrás da paragem esquecido pelos dias Os homens calados bebiam rotinas lá fora o autocarro cuspia ...
o casal posa entre ruínas quietas. o menino distorce o riso a careta de cal &o tecto cai sobre aristóteles que vive ainda na sarjeta: (ou será outro) pensa: - a quem importa o génio do axioma? lá fora o mundo é um cão sem dono aqui importa o fogo inato: a vida inteira numa risada feliz o filho & claro o caos
ela não chega, condensa-se nenhum passo, nenhuma heráldica, apenas a lenta insistência da maré contra o crânio a palidez acumula-se à beira do pensamento, onde a linguagem se desfaz em gesso e ossos sente-a primeiro a subtracção: calor rarefeito, cor drenada, nomes escorregando como peixes da rede para a boca depois começa a aritmética prateada: cresce, diminui, desaparece, regressa ela guarda a sua biblioteca na medula cada mito uma vértebra, cada amante um fóssil de devoção impresso na longa paciência do seu corpo os homens chamaram-lhe misericórdia os homens chamaram-lhe perecimento construíram altares a partir dos seus erros, nomearam esses ecos uma epifania mas ela não é dádiva nem fim ela é a gramática da recorrência, a si...
Para Nika Turbina não sou eu, dizes - quem escreve, como se a mão fosse um rumor do corpo, o abismo apressado não sou eu, dizes - quem escuta, o ouvido no pulso, o verso sem nome no caderno escuro não sou eu, dizes - quem faz tremer os sonhos onde o chão líquido aprende a cair acordas - a noite intacta, pesada, um animal deitado sobre o peito Gritar? O grito esqueceu- se de ti dizes - não há palavras e logo depois há - mas quem encontra letras num quarto submerso? e então es...
Sente-se. Está sentado? Você é um idiota. Repito: você é um idiota. o peso do N-O-M-E agudo. Sou um idiota ? Nega que o seja? I-d-i-o-t-a, fixe bem as letras. Quanto mais foge, mais a luz mente. Negar o que o é? Mais erros comete. Idiota, de pequenos poderes por encomendas de gaveta o diário de bordo da nau catrineta a última edição revista do manual da caquistocracia, a companheira I deal de todos os pequenos I s in-soletrados & sorri- dentes. ...
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